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Danielle Davegna
35 anos, carioca e mãe do João Victor (11 anos e autista)
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sexta-feira
Cientistas encontram varição genética que influi no autismo


Um grupo de cientistas descobriu a primeira evidência clara de que uma variação genética comum tem influência no desenvolvimento do autismo, segundo uma pesquisa cujos resultados foram publicados na edição semanal online da revista Nature. A pesquisa se centra nos polimorfismos de um só nucleotídeo ou SNP (em inglês), que são uma variação muito frequente na sequência de DNA que afeta uma só base - adenina, timina, citosina ou guanina- de uma cadeia do genoma.


Os SNP formam até 90% de todas as variações genômicas humanas na sequência do DNA e determinam a resposta dos indivíduos a doenças, bactérias, vírus e medicamentos. Até agora, os cientistas achavam que não havia relação com os transtornos do espectro autista (TEA), o grupo de incapacidades do desenvolvimento provocadas por uma anomalia no cérebro.


No entanto, os professores Hakon Hakonarson, do Hospital Infantil da Filadélfia (EUA), e Gérard Schellenberg, da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, respondem a esta crença. Até agora, a associação genética com os TEA era difícil de ser descoberta devido à complexidade dos sintomas clínicos e pela própria arquitetura genética, mas os trabalhos realizados por Hakonarson e Schellenberg resolveram este problema.


Em uma das pesquisas foram identificados seis SNPs junto a dois genes codificadores de proteínas, o que significa que as moléculas que aderem às células neuronais têm um papel no desenvolvimento dos diferentes tipos de autismo. No segundo estudo, foram encontradas duas trajetórias ou percursos genéticos no sistema nervoso que contribuem de maneira significativa à suscetibilidade genética a apresentar TEA.


Os genes encontrados em uma das trajetórias eram os responsáveis por uma degradação proteica - um processo que tem a ver com vários transtornos genéticos - e as descobertas em regiões associadas com a aderência neuronal tinham uma estreita relação com o desenvolvimento do autismo.


Em entrevista coletiva, Schellenberg destacou que a pesquisa abre caminho para descobrir eventuais remédios que possam combater o problema.



***


Pesquisadores identificam gene ligado ao autismo


Estudos que envolveram cientistas de 30 instituições de pesquisa nos Estados Unidos acabam de dar uma importante contribuição ao conhecimento sobre o autismo, desordem que afeta a capacidade de comunicação e de estabelecer relacionamentos, ao identificar fatores genéticos que afetam o risco de manifestação do problema. Segundo as pesquisas, tais variantes genéticas são comuns em pessoas com autismo. Essa é a primeira vez em que se identificou uma relação direta entre o código genético humano e a desordem.


O principal estudo, que envolveu mais de 10 mil pessoas, incluindo portadores da desordem, familiares e outros voluntários, em diversos estados do país, foi coordenado por Hakon Hakonarson, professor da Universidade da Pensilvânia e diretor do Centro de Genômica Aplicada do Hospital Infantil da Filadélfia.


Os resultados estão em artigo publicado nesta terça-feira (28/4) no site da revista Nature e destacam a importância de genes que estão envolvidos na formação e manutenção de conexões entre células cerebrais. O estudo se baseou em polimorfismos de nucleotídeos únicos, responsáveis pela maior parte das variações genômicas na sequência do DNA. Entre as variantes genéticas identificadas, está uma que se mostrou altamente comum em crianças autistas.

Em seguida, ao analisar a atividade do gene - chamado de CDH10 - no cérebro em fetos, descobriram que ele tinha maior atividade justamente nas regiões ligadas à linguagem e aos relacionamentos sociais. O trabalho indica que o CDH10 tem papel fundamental no desenvolvimento cerebral e pode contribuir para o risco de autismo.


"Enquanto essa variante genética é comum na população em geral, descobrimos que ela ocorre cerca de 20% mais frequentemente em crianças com autismo. Uma mudança importante como essa no código genético é muito mais do que uma simples mutação.


Trata-se de um fator de risco para a origem da doença", disse Daniel Geschwind, diretor do Centro para Tratamento e Pesquisa em Autismo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), um dos autores da pesquisa principal. O grupo da UCLA analisou o DNA de 3,1 mil crianças com autismo em 780 famílias - cada família tinha pelo menos duas crianças com o problema. O processo relacionou a desordem com uma região específica do cromossomo 5.


Uma nova análise, dessa vez com 1,2 mil portadores e 6,5 mil pessoas no grupo controle, foi feita pela equipe de Hakonarson. Os pesquisadores avaliaram a relação entre mais de meio milhão de variantes genéticas com o autismo e identificaram seis alterações que ocorriam mais frequentemente em crianças autistas do que nos indivíduos saudáveis. As variações estavam no cromossomo 5 entre os genes CDH9 e CDH10.


Na sequência do estudo, o grupo na UCLA verificou a presença dos dois genes no cérebro humano em desenvolvimento. Enquanto a presença do CDH9 foi pequena, o CDH10 se mostrou especialmente presente e ativo no córtex frontal, região crítica para a linguagem, comportamento social e raciocínios complexos como os envolvidos no processo de julgamento.


"Trata-se de uma descoberta marcante. Não é coincidência que um gene ligado ao autismo apareça em alta concentração em regiões do cérebro que regulam a fala e a interpretação social. Nossa pesquisa sugere que o CDH10 é acionado em um estágio muito inicial e tem um papel importante no desenvolvimento do cérebro. Sua atividade pré-natal torna o indivíduo mais suscetível ao autismo", disse Geschwind.

A descoberta dos genes reforça estudos recentes que apontaram que crianças com transtornos do espectro autista (como o próprio autismo ou a síndrome de Asperger) podem ter conectividade reduzida entre neurônios e com pesquisas que verificaram desenvolvimento anormal nos lobos frontais do cérebro em pacientes com autismo.

"Nossos resultados, quando somados com estudos anatômicos e de imagens de ressonância magnética funcional, sugerem que os transtornos do espectro autista possam ser um problema de desconexão neural", disse Hakonarson.


Fonte:

http://www.abril.com.br

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quinta-feira

O que um autista nos pediria

01 - Ajude-me a compreender. Organize meu mundo e facilita-me ou antecipe o que vai suceder. Dá-me ordem, estrutura, e não caos.

02 - Não te angusties comigo, porque me angustio. Respeita meu ritmo. Sempre poderás relacionar-se comigo se compreender minhas necessidades e meu modo especial de entender a realidade. Não se deprima, o normal é que avance e me desenvolva cada vez mais.


03 - Não me fale demasiado, nem demasiado depressa. As palavras são "ar" que não pesa para ti, mas podem ser uma carga muito pesada para mim. Muitas vezes não são a melhor maneira de relacionar-se comigo.


04 - Como outros filhos, como outros adultos, necessito compartilhar o prazer e o gosto de fazer as coisas bem, mesmo que nem sempre o consiga. Faz-me saber, de algum modo, quando consigo fazer as coisas bem e ajuda-me a fazê-las sem erros. Quando tenho demasiadas falhas sucede que me irrito e termino por negar-se a fazer as coisas.


05 - Necessito de mais ordem do que você necessita, mais previsibilidade do meio, que você requer. Teremos que negociar meus rituais para conviver.


06 - É difícil compreender o sentido de muitas das coisas que me pedem para fazer. Ajuda-me a entendê-las, peça-me coisas que podem ter um sentido concreto e decifra-as para mim. Não permitas que me acomode e permaneça inativo.


07 - Não me invadas excessivamente. Às vezes, as pessoas são demasiadamente imprevisíveis, demasiadamente ruidosas, demasiadamente estimulantes. Respeita as distâncias que necessito, porém sem deixar-me só.


08 - O que faço não é contra você. Quando tenho uma zanga ou me golpeio, se destruo algo ou me movimento em excesso, quando me é difícil atender ou fazer o que me pede, não estou querendo te prejudicar. Já que tenho um problema de intenções, não me atribua más intenções!


09 - Meu desenvolvimento não é absurdo, embora não seja fácil de entender. Tem sua própria lógica e muitas das condutas que chamas "alteradas" são formas de enfrentar o mundo na minha especial forma de ser e perceber. Faz um esforço para compreender-me.


10 - As outras pessoas são demasiadamente complicadas. Meu mundo não é complexo e fechado, senão simples. Embora te pareça estranho o que te digo, meu mundo é tão aberto, tão sem dissimulações nem mentiras, tão ingenuinamente exposto aos demais, que é difícil penetrarmos nele. Não vivo em uma "fortaleza vazia", nem em uma planície tão aberta que pode parecer inacessível. Tenho muito menos complicações que as pessoas que são consideradas normais.


11 - Não me peças sempre as mesmas coisas nem me exijas as mesmas rotinas. Não tens que fazer-te autista para ajudar-me. O autista sou eu, não você!


12 - Não sou só autista. Também sou uma criança, um adolescente, ou um adulto. Compartilho muitas coisas das crianças, adolescentes ou adultos ditos "normais". Gosto de jogar e divertir-me, quero os meus pais e pessoas que me cercam, me sinto satisfeito quando faço as coisas bem é aquilo que compartilhamos que nos une.


13 - Vale à pena viver comigo. Poço dar-lhe tantas satisfações quantas outras pessoas, embora não sejam as mesmas. Pode chegar um momento em sua vida em que eu, que sou autista, seja sua maior, ou melhor, companhia.


14 - Não me agridas quimicamente. Se te dizem que tenho que tomar um medicamento, providencie que seja revisado periodicamente por um especialista.


15 - Nem meus pais nem eu tenho a culpa do que me passa. Tão pouco a têm os profissionais que me ajudam não serve de nada que os culpe. Às vezes, minhas reações e condutas podem ser difíceis de compreender ou afrontar, porém não é por culpa de nada. A idéia de "culpa” não produz mais que sofrimento em relação ao meu problema.


16 - Não me peças constantemente coisas do que sou capaz de fazer. Porém peça-me o que poço fazer. Dá-me ajuda para ser mais autônomo, para compreender melhor, porém não me dê ajuda demais.


17 - Não tens que trocar completamente sua vida pelo fato de viver com uma pessoa autista. Não me serve de nada que esteja mal, que te encerres e te deprimas. Necessito estabilidade emocional ao meu redor para estar melhor. Pensa que, menos ainda, seu par tem culpa do que me passa.


18 - Ajuda-me com naturalidade, sem convertê-lo em uma obsessão. Para poder ajudar-me, tenha seus momentos de repouso ou dedique as suas próprias atividades. Aproxime-se de mim, não se vá, porém não se sinta submetido a um peso insuportável. Em minha vida, tenho momentos maus, porém poço estar cada vez melhor.


19 - Me aceite como sou. Não condicione sua aceitação a que eu deixe de ser autista. Seja otimista sem fazer "novelas". Minha situação normalmente melhora, ainda que pôr hora não tenha cura.


20 - Ainda que me seja difícil comunicar-me ou não compreenda as sutilezas sociais, tenho incluso algumas vantagens em relação aos ditos "normais". Me custa comunicar, porém o não sei enganar. Não compreendo as sutilezas sociais, porém tão pouco participo das duplas intenções ou dos sentimentos perigosos tão freqüentes na vida social. Minha vida pode ser satisfatória se é simples, ordenada e tranqüila. Se não me pede constantemente e sou aquele que mais me custa. Ser autista é um modo de ser, ainda que não seja o normal. Minha vida como autista pode ser tão feliz e satisfatória como a sua "normal". Nessa vida, podemos encontrar-nos e compartilhar muitas experiências.

quarta-feira

Autismo e Pré-Natal

Em 12 de janeiro deste ano foi publicada uma pesquisa da Universidade de Cambridge que pode abrir caminho para o diagnóstico pré-natal de autismo. Por outro lado, o estudo deve trazer consigo uma série de controvérsias.

Cientistas liderados pelo professor Simon Baron-Cohen, uma autoridade mundial no assunto, acompanharam 235 crianças desde antes do nascimento até os oito anos de idade. Eles concluíram então que alto nível de testosterona no líquido amniótico de mulheres grávidas estava associado aos sintomas de autismo na infância.


Os resultados da pesquisa podem servir de base para o desenvolvimento de uma amniocentese (usada para detectar síndrome de Down) para identificar casos de autismo ainda na barriga da mãe.


O professor levanta a questão principalmente devido ao conceito que se tem de autismo. Caracterizado pelo desligamento da realidade exterior e pela criação de um mundo autônomo, a condição é muitas vezes associada à genialidade e a um grande poder de concentração responsável por habilidades extraordinárias em matemática e música. No entanto, a outra faceta do distúrbio traz crianças incapazes de se comunicarem e forçadas a viver em instituições especializadas.


Um possível exame pré-natal para diagnosticar autismo não poderia, a princípio, identificar para qual desses extremos seria levada a criança. Por isso, Cohen avalia que é preciso começar a debater a questão. "O que nós perderíamos se crianças autistas fossem eliminadas da população? Existe um teste para a síndrome de Down que é permitido e os pais exercem o seu direito de optar pelo aborto. Mas autismo é freqüentemente associado ao talento. É uma condição diferente", ressalta.

terça-feira

Método ABA - no YouTuBe





Método ABA - Apresentação

Quem pode se beneficiar com ABA?

O tratamento com Aba tem beneficiado todo o tipo de aprendiz em todas as idades, com muita ou pouca habilidade, em várias questões diferentes. No começo dos anos 60, começou-se a se trabalhar com a análise do comportamento em crianças autistas e com outras desordens do desenvolvimento. Desde aquela época, uma grande variedade de técnicas de ABA tem sido desenvolvida para construir o aprendizado em crianças autistas de todas as idades. Essas técnicas são usadas tanto em situações mais estruturadas e formais como nas situações mais naturais, tipo as situações do dia-a-dia e tanto na situação de 1 pra 1, como nas instruções em grupo.O uso dos princípios e técnicas da ABA para ajudar pessoas com autismo terem uma vida mais feliz e produtiva se expandiu rapidamente nos últimos anos. Hoje, ABA é amplamente reconhecido como seguro e efetivo no tratamento do autismo.

ABA tem sucesso com autistas adultos?

Sim. Documentos de pesquisa mostram que várias técnicas de ABA são efetivas em construir habilidades em crianças, adolescentes e adultos com autismo e desordem relacionadas. E ainda, os métodos de ABA são úteis em ajudar as famílias a lidar com muitos comportamentos difíceis que podem acompanhar o autismo, sem os efeitos colaterais de drogas. Nos EUA muitos desses indivíduos adultos com acompanhamento de ABA aprenderam a desenvolver alguma atividade voltada pro trabalho e a ter uma ótima participação em suas comunidades.


De acordo com o Departamento de Saúde do Estado de Nova Yorque, procedimentos derivados da análise do comportamento são essenciais em qualquer programa desenvolvido para o tratamento de indivíduos diagnosticados com autismo. A academia nacional de ciências dos EUA, por exemplo, concluiu que o maior nº de estudos bem documentados utilizaram-se de métodos comportamentais. Além disso, a Associação para a Ciência do Tratamento do Autismo dos Estados Unidos, afirma que ABA é o único tratamento que possui evidência científica suficiente para ser considerado eficaz.

O tratamento ABA envolve o ensino intensivo e individualizado das habilidades necessárias para que o indivíduo possa adquirir independência e a melhor qualidade de vida possível. Dentre as habilidades ensinadas incluem-se comportamentos sociais, tais como contato visual e comunicação funcional; comportamentos acadêmicos tais como pré-requisitos para leitura, escrita e matemática; além de atividades da vida diária como higiene pessoal. A redução de comportamentos tais como agressões, estereotipias, auto-lesões, agressões verbais, e fugas também fazem parte do tratamento comportamental, já que tais comportamentos interferem no desenvolvimento e integração do indivíduo diagnosticado com autismo.

Durante o tratamento comportamental (ABA), habilidades geralmente são ensinadas em uma situação de um aluno com um professor via a apresentação de uma instrução ou uma dica, com o professor auxiliando a criança através de uma hierarquia de ajuda (chamada de aprendizagem sem erro). As oportunidades de aprendizagem são repetidas muitas vezes, até que a criança demonstre a habilidade sem erro em diversos ambientes e situações. A principal característica do tratamento ABA é o uso de conseqüências favoráveis ou positivas (reforçadoras). Inicialmente, essas conseqüências são extrínsecas (ex. uma guloseima, um brinquedo ou uma atividade preferida). Entretanto o objetivo é que, com o tempo, conseqüências naturais (intrínsecas) produzidas pelo próprio comportamento sejam suficientemente poderosas para manter a criança aprendendo. Durante o ensino, cada comportamento apresentado pela criança é registrado de forma precisa para que se possa avaliar seu progresso.

O uso da Análise Comportamental Aplicada voltada para o autismo baseia-se em diversos passos: 1- avaliação inicial, 2- definição de objetivos a serem alcançados, 3- elaboração de programas/procedimentos, 4- ensino intensivo, 5- avaliação do progresso. O tratamento comportamental caracteriza-se, pela experimentação, registro e constante mudança. A lista de objetivos a serem alcançados é definida pelo profissional, juntamente com a família com base nas habilidades iniciais do indivíduo. Assim, o envolvimento dos pais e de todas as pessoas que participam da vida da criança é fundamental durante todo o processo.

Concluindo, ABA consiste no ensino intensivo das habilidades necessárias para que o indivíduo diagnosticado com autismo ou transtornos invasivos do desenvolvimento se torne independente. O tratamento baseia-se em anos de pesquisa na área da aprendizagem e é hoje considerado como o mais eficaz.


Caio Miguel, Ph.D, Psicólogo, doutor em análise do comportamento pela Western Michigan Universit.
Artigo publicado no BAB - Boletim Autismo Brasil n.2, de junho de 2005.

quinta-feira

Método Son-Rise - no YouTuBe



Abro este espaço para disponibilizar vídeos no youtube sobre o programa “Uma Solução para o Autismo”, ou melhor, dizendo “Son – Rise”.

De ante mão, não afirmo que seja o melhor programa para o autista, até por que sempre digo que o autismo não vem regrado e sim personalizado, assim como o seu método de desenvolvimento.

O que pode ser bom para mim pode não ser bom para você e vice-versa.


Os Fundadores


Introdução



Focando no contato visual


O Ambiente


Juntar-se a sua criança



Aplicando as Técnicas 1


Aplicando as Técnicas 2


Continuando a Aprendizagem




Método Son-Rise - Pesquisas Empíricas

Desde que o Autismo foi delineado pela primeira vez (Kanner, 1943), estabeleceu-se uma definição consensual de Autismo, e métodos padronizados de diagnóstico foram produzidos. Até o presente momento, no entanto, nenhuma etiologia clara foi estabelecida e os tratamentos propostos variam amplamente. As pesquisas têm descoberto o suficiente sobre a psicologia neurológica e cognitiva relacionada ao Autismo permitindo-nos delinear as implicações do tratamento para beneficiar aquelas famílias que agora buscam ajuda, as quais não querem esperar pela resposta final.

O Autism Treatment Center of America vem utilizando o Programa Son-Rise (SRP ), com famílias desde 1983 de forma a atender esta necessidade. O SRP foi desenvolvido por pais que experimentavam maneiras de chegar até seu filho que tinha o diagnóstico de autismo de grau severo (Kaufman, 1976). A ciência naquela época, não oferecia orientação alguma para facilitar o desenvolvimento social de crianças com Autismo. Desde que o seu filho saiu do Autismo após três anos de trabalho intensivo, os Kaufman têm oferecido o SPR a várias famílias internacionalmente.

Até o momento, ainda não se realizou nenhum teste longitudinal rigoroso quanto à eficácia do SRP embora se possa ver que os princípios-chave desta abordagem contam com o apoio da literatura de pesquisa atual.

Este artigo irá discutir alguns princípios-chave do SRP no contexto da pesquisa atual em Autismo para se criar uma plataforma para investigação quantitativa.


Clique aqui para fazer o download do documento inteiro.

Método Son-Rise - Download Modelo de Desenvolvimento

Método Son-Rise - Início do Programa

Ao começar algo novo, vivenciamos novos desafios, dúvidas, e até momentos de frustração. A Inspirados pelo Autismo busca auxiliar o início da sua maravilhosa viagem junto ao seu filho. Ao brincar com a criança com autismo de uma maneira em que a criança participe mentalmente, emocionalmente e fisicamente, um novo crescimento cerebral estará sendo solidificado. Abaixo encontram-se informações e links para ajudá-lo na sua jornada para uma perspectiva inspirada pelo autismo.

Todo crescimento neurológico é solidificado através de ações. Decidir adotar uma nova perspectiva é uma coisa, investir em ações físicas derivadas desta perspectiva é que a tornará uma realidade para você.


1. Passe 30 minutos por dia 1:1 (um a um) com sua criança.


  • Leve sua criança para o quarto mais calmo e silencioso de sua casa.
  • Faça o melhor para preparar o quarto de forma que não haja interrupções nesses 30 minutos.
  • Leve com você uma pequena caixa de brinquedos ou atividades.
  • Pouco a pouco aumente o tempo que você passa 1:1 com sua criança com acréscimos de 15 minutos.

2. “Junte-se” à criança.

Como uma maneira de entender e construir uma relação mais profunda com sua criança faça exatamente o que ela está fazendo. Concentre-se em se divertir nesse momento “no mundo dela” (Um aspecto marcante do Programa Son-Rise). Por exemplo:

  • Se sua criança estiver pulando numa bola, pule numa bola também.
  • Se sua criança estiver correndo de um lado para o outro, corra de um lado para o outro.
  • Se sua criança estiver recitando a cena de um filme ou livro, recite a mesma cena com ela.
  • Se sua criança estiver resolvendo problemas de matemática, faça os seus próprios problemasde matemática com ela.
  • Se ela estiver olhando fixamente para a parede, olhe para a parede com ela.
  • Faça o que ela estiver fazendo, exatamente da mesma forma.
  • À medida que você fizer o que ela estiver fazendo, concentre-se em realmente se divertir com a atividade.

3. Concentre-se no contato visual.

Quanto mais a criança olhar mais ela aprenderá. Quanto mais você se concentrar no contato visual com sua criança, mais esse contato aumentará – dando a oportunidade de sua criança aprender com você. O contato visual é de fundamental importância para todos os aprendizados futuros.
Por exemplo:

  • Celebre sua criança cada vez em que ela olhar para você. Você pode dizer, “Uau, eu adoro quando você olha para mim!” ou “O seu olhar é lindo!” ou “Obrigado por olhar para mim.” Não importa o que você diga, mas sim que você se sinta entusiasmado e agradecido pelo fato de sua criança ter escolhido olhar diretamente para os seus olhos.
  • Traga a atenção para a sua face e olhos. Torne o seu rosto interessante usando chapéus, óculos divertidos, adesivos e pinturas, etc.
  • Posicione-se em frente à criança, no nível dos olhos ou abaixo, tornando mais fácil para ela olhar para você. Quando oferecer brinquedos, alimentos ou algo para beber, posicione-os na altura dos seus próprios olhos.

Por acreditarmos na eficácia do Programa Son-Rise estamos oferecendo a você uma amostra de nossos princípios. Estes princípios podem ser aplicados imediatamente com sua criança especial. (Observação: Sugerimos que você escolha uma técnica que se aplique a sua criança e use-a consistentemente em cada oportunidade durante 2 a 4 dias.)



1ª Área de Desafio:


A criança tem verbalização limitada ou não fala.

Princípios para Orientação:

  • Se você ensinar que a linguagem é para comunicação (e não apenas sons para serem memorizados e repetidos), você mostra para a criança que existe um motivo para falar.
  • Se a linguagem é vista como útil e divertida, as crianças ficam motivadas para usá-la.

Aplicando os Princípios:

  • Responda rapidamente aos sons que sua criança emitir. Quando a criança emitir um som (mesmo que você não tenha certeza do que ela quer dizer), mova-se rapidamente e ofereça algo mesmo que você não saiba o que ela está pedindo. Demonstre que comunicações verbais fazem com que as pessoas se movam. Mostre a ela que a fala lhe trará poder.
  • Mostre que cada palavra falada resulta em uma ação. Ensine inicialmente verbos e substantivos associados a ações. Essas palavras são mais fáceis de responder e mostram o poder da linguagem. Ex: se você ensina a expressão colo, você pode carregar seu filho no colo cada vez que ele usar essa expressão. Em contraste, se você ensina a palavra mesa, não há ação específica resultante do uso dessa palavra. Exemplos de substantivos efetivos: bola ou bolha (de sabão).
  • Celebre cada tentativa de comunicação. Se sua criança tentar dizer uma palavra, vibre e celebre intensamente! Queremos que as crianças fiquem empolgadas ao tentar e tentar e tentar de novo. Para isto celebramos não apenas o sucesso, mas também qualquer esforço feito pela criança.

2ª Área de Desafio:


criança é incapaz ou não quer participar das atividades do cotidiano (ex: escovar os dentes, usar o banheiro, higiene pessoal, preparo das próprias refeições, vestir-se, etc.).

Princípios para Orientação:


  • Todas as pessoas (crianças e jovens adultos) se movem em direção ao que é divertido e prazeroso. Se estas atividades forem vistas como agradáveis, nossas crianças ficarão motivadas para participar delas ao invés de evitá-las .
  • As pessoas necessitam de um tempo para aprender – vale a pena investir tempo para ajudar sua criança a adquirir novas habilidades.
Aplicando os Princípios:

  • Faça/ensine essas atividades continuamente durante o dia. Ao invés de apenas fazê-las durante as horas mais ocupadas do dia (ex: quando tenta apressar as crianças para saírem de casa para que não percam o ônibus escolar), procure outras oportunidades para ensinar vagarosamente essas atividades.
  • Dê atenção e celebre todos os membros da família que participarem dessas atividades (ex: “Viva papai! Você vestiu o seu próprio casaco!”).
  • Tenha reações grandes e empolgadas para qualquer sinal de interesse ou disposição da criança nessa área (ex: quando a criança olhar para a escova de dente, quando ela vestir a camisa ao contrário, etc.).
  • Torne a atividade divertida! (O quê? Escovar os dentes de forma divertida? Sim! Escovar os dentes pode ser divertido!)
  • Seja flexível em relação ao tempo. Se sua criança se esquiva para não pentear o cabelo, ao invés de forçá-la ou pressioná-la, espere 10 minutos e tente de novo.

3ª Área de Desafio:


A criança exibe comportamentos ritualísticos e repetitivos de auto-estimulação.

Princípios para Orientação:

  • Crianças e adultos utilizam estes comportamentos para organizar a compreensão do ambiente em que estão inseridos e adquirir uma sensação de controle interno.
  • Estes comportamentos podem ter natureza curativa.
  • Estes rituais podem ser uma porta de entrada para a interação humana e relacionamentos sociais.
  • Estes comportamentos são confortantes para as crianças e têm um propósito mesmo quando não os compreendemos.
Aplicando os Princípios:

  • Ao invés de tentar parar um comportamento forçadamente, “junte-se” a este comportamento para ajudar a brincadeira solitária se tornar uma brincadeira a dois. Faça parte verdadeiramente dos “jogos” da criança antes de pedir a ela para fazer parte dos seus.
  • “Junte-se” às atividades de sua criança imitando exatamente o que ela faz (Ex: se sua criança está balançando as mãos, balance suas mãos com ela.). Posicione-se de forma que sua criança possa ver o que você está fazendo.

4ª Área de Desafio:


A criança possui um amplo vocabulário ou fala usando sentenças, mas não apresenta a habilidade de usar a linguagem eficientemente em situações sociais.

Princípios para Orientação:

  • Se ajudarmos uma criança a estabelecer confiança na comunicação social, ela tentará mais vezes.
  • As crianças são motivadas a usar as suas habilidades verbais com os outros quando a elas é mostrado o benefício trazido pela comunicação.
Aplicando os Princípios:

  • Recrie situações sociais em um ambiente livre de distrações inventando brincadeiras que simulem circunstâncias sociais conhecidas.
  • Ofereça frases/sentenças específicas que você quer que a criança aprenda, dentro de um contexto de uma atividade ou jogo estimulante. (Ex: ao invés de corrigir a criança ou “alimentá-la” com sentenças para repetir, crie um jogo chamado “supermercado” e mostre a ela como interagir com você enquanto você finge ser o caixa.)
  • Mostre-se entusiasmado para conversar sobre o tema de interesse de sua criança (Ex: Turma da Mônica, dinossauros, perguntas repetitivas como “A que horas é o jantar?”, etc.). Seja um modelo. Se quisermos que ela converse sobre as nossas áreas de interesse, primeiro temos que conversar sobre os interesses dela. Após termos prestado atenção nas áreas de interesse da criança, podemos então começar a conduzir gentilmente a conversa em direções diferentes.
  • Ao invés de corrigi-la continuamente ou mostrar a ela como o que ela está dizendo está fora de contexto ou já foi dito antes, celebre o fato de que ela está se comunicando com você. Deixe que ela saiba o quanto você adora ouvi-la falar e compartilhar.

5ª Área de Desafio:


A criança grita, chora, bate, joga objetos, etc.

Princípios para Orientação:

  • As crianças utilizam esses comportamentos porque eles funcionam. Se uma criança está gritando, é porque aprendeu que dessa forma ela consegue o que quer. Se este comportamento perder a utilidade ela não o usará mais.
  • Toda criança ou adulto está fazendo o melhor que pode. Seja qual for a razão, nesse momento eles não são capazes de encontrar uma outra forma de agir. Se pudessem, fariam.
  • Nossas reações desempenham um papel vital em encorajar ou diminuir a freqüência de cada um destes comportamentos.
Aplicando os Princípios:

  • Não demonstre reação. Mantenha sua expressão facial e sua voz em um tom neutro (ex: não grite, não franza as sobrancelhas, não faça careta, etc.). Sempre se movimente vagarosamente e com calma durante esse momento, pois assim você minimiza as suas reações, deixando de ser um possível apoio para esses comportamentos.
  • Ao invés de tentar ignorar esses comportamentos, explique com uma voz calma e amorosa que você não a entende quando se comunica com você dessa maneira. Mesmo que sua criança não saiba falar, sua explicação é útil tanto em conteúdo quanto em tom.
  • Evite dar a “recompensa” que ela quer. Se você oferecer o que ela quer quando grita, você a ensina que essa é uma forma efetiva de comunicação.
  • Cuide de si mesmo. Minimizar suas reações não significa que você tenha que permitir que sua criança bata em você. Tente colocar um travesseiro na sua frente e vagarosamente se movimente para outro lugar.
  • Ofereça uma alternativa. Se sua criança está puxando seu cabelo, ofereça a ela uma corda para puxar no lugar. Se estiver atirando blocos, ofereça então uma almofada ou um brinquedo mais fofo para que ela jogue.
  • Dê reações substanciais de celebração cada vez que sua criança for gentil ou pedir algo de uma maneira que você prefira.
  • Mova-se rapidamente quando ela pedir algo de forma gentil e clara, pois assim você mostra a ela o contraste entre esses tipos de comunicação.



(Direitos autorais reservados ao The Option Institute and Fellowship, site www.autismtreatmentcenter.org)


Clique aqui para fazer o download da página informativa com todas essas dicas e mais informações sobre como criar um ambiente de aprendizagem otimizado.

quarta-feira

Autistando


"Somos todos autistas, a gradação está nos rótulos"

Quando me recuso a ter um autista em minha classe, em minha escola, alegando não estar preparado para isso, estou sendo resistente à mudança de rotina.

Quando digo a meu aluno que responda a minha pergunta como quero e no tempo que determino, estou sendo agressivo.

Quando espero que outra pessoa de minha equipe de trabalho faça uma tarefa que pode ser feita por mim, estou a usando como ferramenta.

Quando, numa conversa, me desligo, "viajo", estou olhando em foco desviante, estou tendo audição seletiva.

Quando preciso desenvolver qualquer atividade da qual não sei exatamente o que esperam ou como fazer, posso me mostrar inquieto, ansioso e até hiperativo.

Quando fico sacudindo meu pé, enrolando meu cabelo com o dedo, mordendo a caneta ou coisa parecida, estou tendo movimentos estereotipados.

Quando me recuso a participar de eventos, a dividir minhas experiências, a compartilhar conhecimentos, estou tendo atitudes isoladas e distantes.

Quando nos momentos de raiva e frustração, soco o travesseiro, jogo objetos na parede ou quebro meus bibelôs, estou sendo agressivo e destrutivo.

Quando atravesso a rua fora da faixa de pedestres, me excedo em comidas e bebidas, corro atrás de ladrões, estou demonstrando não ter medo de perigos reais.

Quando evito abraçar conhecidos, apertar a mão de desconhecidos, acariciar pessoas queridas, estou tendo comportamento indiferente.

Quando dirijo com os vidros fechados e canto alto, exibo meus tiques nervosos, rio ao ver alguém cair, estou tendo risos e movimentos não apropriados.

Somos todos autistas, a gradação está nos rótulos, uns mais, outros menos. O que difere é que em uns (os não rotulados), sobram malícia, jogo de cintura, hipocrisias e em outros (os rotulados) sobram autenticidade, ingenuidade e vontade de permanecer assim.


Fonte: Rede Saci

Autora: Scheilla Abbud Vieira